quinta-feira, 29 de janeiro de 2009


Shortbus Tribute - For more amazing video clips, click here

Shortbus, de John Cameron Mitchell, conta a história de Sofia (Sook-Yin Lee), terapeuta de casais que não é feliz com o seu marido e esconde dele o fato de nunca ter tido um orgasmo. Um casal homossexual, James (Paul Dawson) e Jamie (PJ DeBoy), clientes da terapeuta, descobrem o segredo e convidam-na para uma noite num bar underground, onde tudo pode acontecer. Lá ela vê e ouve de tudo, aprende o alfabeto completo: de a, de amor, a z, de ficar zonzo entre várias coisas. Com um grupo de mulheres que vive à procura do ponto x, o grande personagem do filme. Isto é: região enigmática onde coabitam afeto, companheirismo, sexo, felicidade etc.


Tudo o que já se ouviu falar sobre Shortbus é verdade. Especialmente que tem fartas (e fortes) cenas de sexo explícito, motivo que gerou polêmica no Festival de Cannes, onde foi lançado. O filme levou dois anos e meio para ser feito e foi totalmente construído com o elenco. É a segunda obra do diretor independente, elogiado pela ousadia. Sua estréia foi com Hedwig – rock, amor e traição, inspirado no mundo clubber de Nova York, ambiente que, de certa forma, ele agora retoma. E, para ser justo, é bom que se diga que a alta voltagem sexual caminha juntamente com mesma intensidade no plano dramático, e também no de humor. Os três enfoques se revezam ao longo da trama.

O filme de John Cameron habita o coração de certas questões comportamentais contemporâneas: crise conjugal, carência afetiva, doenças sexualmente transmissíveis etc. Acrescente-se a necessidade de solidariedade, responsabilidade, liberdade pessoal. E, como ninguém é de ferro, de alguma felicidade ou pelo menos de prazer num mundo ignorante. A todo instante, com e sem ironia, que é bom saber que existe algo depois do sexo, e que isso acaba sendo incontornável.

Shortbus tem qualquer coisa de modernização de antigos filmes românticos, só que com a palavra amor trocada por sexo. Com graça, mas também muita crítica, celebra o “faça amor, não faça a guerra”. É um filme extremamente bem realizado, em todos os aspectos, e que, passado o choque inicial, se torna numa obra prima. Se fica alguma ressalva é quanto à manutenção de certos estereótipos. Seja o de que só os gays conhecem bem o assunto ou o fato de apresentar Nova York como cidade ultraliberal. Mas o filme, que tem na abertura e no encerramento uma cidade de papelão, deixa bem claro que estamos a falar e a assistir a um lugar imaginário. Será mesmo?

1 comentário:

Paulo disse...

ambos adorámos o filme! adorar mesmo. superlativamente! é tão positivo no sexo e nas dores das personagens que é impossível não gostar deste lugar imaginário (ou não).

abraço!


também já sou teu seguidor, só espero ter tempo para voltar mais vezes!